O livro

Azeredo da Silveira reorientou a política externa do Brasil. Durante os cinco anos em que foi ministro das Relações Exteriores (1974-1979), o país assistiu a manobras ousadas nas relações com os Estados Unidos, Argentina, Portugal, Paraguai, Bolívia, África, Europa Ocidental e Oriente Médio. O Brasil também reconheceu a China comunista e participou ativamente do embate entre o Norte industrializado e o Sul em desenvolvimento.

Neste livro, Azeredo da Silveira fala pela primeira vez dos bastidores da política externa brasileira no apogeu do regime militar, caracteriza as principais crises do período e explica as decisões mais controversas.

O leitor também terá a oportunidade de aprender sobre a riqueza do pensamento de Azeredo da Silveira e seus dilemas mais recorrentes. Nestas páginas terá acesso à visão de mundo de um homem cuja passagem pelo poder deixou legados duradouros para a posição do Brasil nas relações internacionais. E saberá como e por que ele se tornou um dos pais poderosos e influentes diplomatas a ocupar a chancelaria na história do país.

A crença em que o sistema internacional, apesar de sua rigidez e assimetria, era maleável para um Brasil em franca ascensão é uma idéia recorrente e poderosa no pensamento de Azeredo da Silveira uma de suas marcas mais distintivas.

Este depoimento inédito foi gravado entre 1979 e 1982, mas permaneceu fechado para pesquisa durante anos. Agora soma-se a um rico arquivo pessoal com cópias de milhares de memorandos, telegramas e cartas oficiais disponíveis no CPDOC/FGV.

Quem foi Silveira

Azeredo da Silveira foi um dos mais poderosos e influentes ministros das Relações Exteriores do Brasil. Nasceu no Rio de Janeiro em 22 de setembro de 1917. Entrou para a carreira diplomática em 1943, aos 26 anos. Entre 1966 e 1968 chefiou a representação brasileira em Genebra. Em 1969 foi nomeado embaixador na Argentina pelo presidente Costa e Silva. Em 1974 deixou o posto para servir como ministro das Relações Exteriores sob o presidente Ernesto Geisel, permanecendo no cargo até o final do governo. Posteriormente foi nomeado embaixador em Washington (1979-1983). Entre 1983 e 1985 foi embaixador do Brasil em Lisboa. Aposentou-se em 1985 e retornou ao Brasil. Faleceu de câncer no Rio de Janeiro em 27 de abril de 1990. Azeredo da Silveira era casado com Mary Paranhos Azeredo da Silveira. Deixou inacabado um livro de memórias. Seu arquivo pessoal encontra-se depositado no Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil da Fundação Getulio Vargas (CPDOC/FGV).

Leia documentos secretos

DOSSIÊ 1

Brazil Scope Paper: Implications of the Argentine Visit. Confidencial.
AAS MRE BE 1977.01.27. p. 172-175. Download

Silveira a Geisel. Visita do Secretário de Estado Cyrus Vance. Roteiro norte-americano para as conversações: Informação para o senhor presidente da República. Secreto Exclusivo. 30 nov 1977. Download

Em novembro de 1977 o governo americano buscava demover o Brasil de sua postura rígida na questão nuclear. Antes de ir a Brasília, a delegação do Secretário de Estado, Cyrus Vance, esteve em Buenos Aires, onde foi assinado um acordo no qual a Argentina se obrigava a aceitar salvaguardas em troca do recebimento de combustível nuclear dos Estados Unidos.

Após sua reunião com o presidente Geisel, Vance esqueceu o memorando com os pontos da conversa no Planalto. O documento acabou nas mãos de Silveira, que preparou uma profunda análise das implicações das pressões americanas para o futuro das relações Brasil-Argentina.

DOSSIÊ 2

Silveira a Araujo Castro. Secreto Urgentíssimo. 25 abr 1975.
AAS MRE BE 1974.03.18. CPDOC. Download

Trata-se de uma carta de Silveira ao Secretário de Estado americano, Henry Kissinger, enviada por intermédio da embaixada brasileira em Washington. Na carta, Silveira discute o adiamento da viagem de Kissinger ao Brasil e aproveita para falar sobre a importância da parceria entre os dois países. Silveira expressa seu desejo de que Brasília seja chamada a contribuir com opiniões a Washington nos principais temas da política internacional e expressa algumas opiniões sobre uma hipotética relação especial entre os dois países.

DOSSIÊ 3

Ovidio Melo a Silveira. Secreto Exclusivo Urgentíssimo. 05 ago 1975.
AAS MRE RB 1974.08.19. CPDOC. Download

Silveira a Zappa. Secreto Exclusivo Urgentíssimo. 05 ago 1975.
AAS MRE RB 1974.08.19. CPDOC. Download

Trata-se da conversa entre de Ítalo Zappa, Chefe do Departamento de África, Ásia e Oceania do Itamaraty, e o ministro Azeredo da Silveira. Silveira havia enviado Zappa a Angola para avaliar a situação da antiga colônia portuguesa que passava por uma guerra civil. O Brasil acabou por ser o primeiro país a reconhecer a independência de Angola, mesmo que o lado vitorioso no conflito interno tenha sido uma guerrilha de inspiração socialista.

Dossiê Biblioteca Gerald Ford.

Casa Branca. Memorando secreto para o arquivo do presidente, 29 set 1974, NSA, NSC, Laas: Files 1974-1977, cx. 12, Gerald Ford Library. Download

Em setembro de 1974, o ministro Azeredo da Silveira estava em visita oficial ao presidente recém-empossado dos Estados Unidos, Gerald Ford. O documento é a transcrição da conversa privada entre Silveira, Ford e o Secretário de Estado, Henry Kissinger. A conversa é marcada pela incerteza do ministro brasileiro em relação ao compromisso americano com uma relação especial com o Brasil. “O Brasil não é Honduras”, afirmava Azeredo da Silveira.

Casa Branca. Memorandum of Conversation, 29 set 1974, NSA Memcon, 1973-1977, cx. 6. Gerald Ford Library. Download

Este documento mostra a conversa entre o Secretário de Estado Kissinger e o Presidente Ford minutos antes do encontro com Silveira. Na conversa, Ford afirma a Kissinger o que pensava do Brasil e o que esperava do país no relacionamento com Cuba.

Veja Silveira em video

Silveira discute aproximação diplomática com o Reino Unido

Azeredo da Silveira critica protecionismo dos países em desenvolvidos.

Entrevista coletiva com o secretário de Estado americano, Henry Kissinger e o embaixador Azeredo da Silveira

O ministro Silveira comenta os efeitos diferenciados da crise do petróleo nos países desenvolvidos e no mundo em desenvolvimento

O chanceler comenta as relações com os Estados Unidos quando se iniciava o governo de Jimmy Carter em Washington

Silveira faz um rápido panorama da cooperação entre Brasil e Estados Unidos

Ao final de sua gestão no Itamaraty, Silveira discute democracia e política externa no Brasil.